O Fabricante Do Fogo - 5. Os Lambaris - Central dos Moldes

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outubro 11, 2020

O Fabricante Do Fogo - 5. Os Lambaris

Tarja O Fabricante Do Fogo

Aquele dia começou diferente dos demais... Havia mistério no ar e nem bem o Sr. Martins encostou no Tidão, este já pulou da cama com os olhos abertos, pesadíssimos de sono, mas com um lindo sorriso para o pai no rosto. Esfregou os olhinhos, coçou a cabeça, olhou para o lado onde dormia seu irmão e viu que eu mesmo já levantava preguiçoso.
- Tá na hora? - perguntou ao pai, olhando para a janela que anunciava os primeiros albores da manhã.
- Tá sim Tidão... Vamos levantar que eu já fiz o café prá gente e vamos pegar as varas, a sacola e ir para a lagoa.
Era dia de pescaria... O pai levaria os dois filhos para pescar com ele, e aquele domingo prometia ser dos melhores... Iriam à pé, logicamente, e o mistério não parava de acontecer, o velho Martins, fanático por armas já havia limpado sua pistola Lugger, Parabellum alemã, desmontar a e montar em um cem número de vezes, engraxando e polindo, mesmo sabendo tais manobras perigosíssimas, tanto que na noite anterior, em frente aos filhos prevenia:
- Jamais passem o cano de uma arma na direção de qualquer pessoa, mesmo se estiver descarregada! Lições que tirava de antigos acidentes como o que custou um rombo na mesa de sua mãe, e que quase arrancara os dedos de seu irmão. Prevenia, mas não tomava jeito... Continuava explicando aos filhos como montar, como desmontar, como carregar, como armar, como desarmar e tudo numa velocidade incrível, e a levaria consigo.
As crianças o tinham como um verdadeiro herói.
- Se entrar um ladrão em casa, o que a gente faz?
- Ora filhos, entrar, a gente assusta ele com uns tiros!!!..., Isso se o Nero não pegar ele antes, respondia confiante lembrando-se do imenso cachorro que tinham, mestiço de Dogue Alemão com Policial (aqueles cães peludos).
As crianças, afastando o soninho da madrugada tinham ido dormir muito cedo na noite anterior, lavaram o rosto, escovaram os dentes, desceram, tomaram o café da manhã, que naquela manhã seria diferente tendo o pai fritado ovos e oferecido com presunto, pão, geleia, etc... Porque era dia de pescaria.
Explicava as crianças o porquê do café reforçado. Em seguida pegaram a sacola de feira cheia de sanduíches que o pai preparar a com carinho. Na mesma, o material indispensável para pescar os tais lambaris, uma caixinha pequenininha de anzóis, linhas, 3 varas de bambus, novíssimas e cheias de recomendações para que se tomasse cuidado com as pontas, que as pontas isso, as pontas aquilo..., que as pontas poderiam quebrar etc..., chapéu em todo mundo, Sr. Martins pegando a sacola à guisa de mochila, uma mão para um filho, outra para outro, e toca descer a rua a caminho da aventura. Na rua de baixo, a Bartolomeu Feio, pegaram para a esquerda. As crianças deslumbravam-se com felicidade.
- Pai, que passarinho é aquele?
- Qual?
- Aquele pertinho alí, ó...?
- Ah! Aquele é um tiziu... Olhem como ele faz quando vai cantar.
As crianças viram que o pequeno pássaro dava um pulinho, virava uma cambalhota no ar enquanto soltava exatamente o som que lidera o nome:
TZZZZIU!
- Que lindo não é pai?
- É filho!... E lá se iam rua abaixo como as lagoas; sol nascendo, as poucas casas do Brooklin Velho dormindo, D. Eufrosina já cuidando das galinhas, o Sr. João, o cachaceiro cumprimentando animado:
- Bom dia Sr. Martins vai pescar?...
- Vou sim Sr. João, vou levar as crianças para conhecer a lagoa!
- Então boa diversão...
Logo mais à frente, a casa e a chácara de D. Palmira, novos comprimentos, novos sorrisos e la vai o pequeno grupinho para a lagoa oito quadras abaixo, só que pelo mato, pelas picadas... Todos de chapéu que o sol já se fazia sentir.
Horas e horas atrás dos lambaris, os gritos das crianças quando pegavam um , a corrida do pai que tirava do anzol, o sorriso que compensava o cansaço da caminhada, a sede que era logo satisfeita com a garrafa de plástico cheia d'água, o desespero das crianças quando viram que uma rã se atirara à água sendo logo seguida por uma cobra que a perseguia.
O pai entrando dentro da água e afastando a cobra para que a rã pudesse fugir, o alívio de vê-la a salvo, a volta para casa já pelas duas horas da tarde, narizinhos vermelhos de sol, esgotados e felizes, hora um no colo, ora outro, a marcha firme com a pequena fieirinha de lambaris pendurada na sacola de feira com uns vinte centímetros balançando ao gosto dos passos! A mãe na porta trocando fofoquinhas amenas com as vizinhas enquanto esperava pela família e que ao vê-los, pergunta:
- Como foi, pescaram muito?
Meio envergonhados pelos poucos peixes, levantaram a fieira e escutaram para alívio geral...
- Oba!... Que delícia... Vamos fritar e comer logo que estou morrendo de vontade!
- Só não deu mais porque a lagoa não estava muito boa...
- E, mãe, apareceu uma rã...
E o domingo, foi pleno de histórias.

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