O Fabricante Do Fogo - 3. O Sonho - Central dos Moldes

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maio 31, 2020

O Fabricante Do Fogo - 3. O Sonho

O Fabricante Do Fogo

Já na rua, a caminho da padaria Panamá o pequeno guri lembrava-se de como havia sido difícil juntar aqueles troquinhos, porém seu objetivo estava praticamente consumado. Iria até a padaria sozinho, e se deliciaria com um imenso sonho.
Era o que mais queria. Um sonho inteirinho só para ele sem ter que repartir nada com o irmão mais velho, nem com ninguém, e por isso saia sozinho, escondido de todos.
O Fabricante Do Fogo - 3. O Sonho
Juntara dinheirinho por dinheirinho, um por um, até que conseguiu a verba necessária para seu intento com todas as dificuldades que pode ter um menino de sete anos, contra tudo e contra todos.
Correu pela rua acima, virou à direita, chegou à esquina, virou à esquerda, foi se aproximando, leu o letreiro da padaria em maiúsculas, sentiu todos os cheiros que de lá vinham, adentrou o recinto, e aproximou-se do balcão, com toda a imponência de um comprador em potencial analisando todos os sonhos que lá se encontravam.
Sonhos de cor marrom, abertos ao meio, suculentos, cheios daquele delicioso creme, com aquele paladar maravilhoso, sua boca cheia de água, seus olhos esbugalhados, e notou aquele sonhão que olhava para ele com cara de:
- "Me morde... me morde!"
Esticou o dedinho, apontou para a futura vítima de seu paladar, levantou bem a voz e disse:
- Pega esse aqui!
- Você tem dinheiro? Perguntou-lhe o português.
- Tá aqui... ó, respondeu mostrando o emaranhado de notas amassadas com moedas, sem no entanto desviar os olhos do sonho.
O português conferiu, abaixou-se e foi pegando um sonho qualquer quandou ouviu um grito:
- É ESSE AQUI! Ó... ESSE AQUI!
Dizia enquanto apontava eufórico para o sonhão.
Rindo o português mudou a mão de lugar e atendeu ao pequeno, que de posse de seu sonho saiu feliz da vida.
Mal saiu, escondeu-se atrás da porta, olhou bem para a vítima, abriu um bocão e... NHAC. Pregou-lhe os dentes, mas... alguma coisa saiu errado!!!
Sentiu uma dor dentro da boca, e entre surpreso e dolorido afastou-o notando algo estranho: O sonho tinha um DENTE!
- Mas sonhos não tem dentes, pensou enquanto passava a língua nos seus, quando notou desesperado que lhe faltava um bem na frente, e olhando novamente para o sonho percebeu que tinha sangue nele, e para sua infelicidade ainda tinha nojo de sangue.
Abaixou a mão, abriu-a deixando cair o pitéu, encheu os olhos de um pranto sentido, e soluçando voltou para casa, sem sonho... e sem dente!

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